Saturday, March 13, 2010

erva fresca na varanda

Hoje passei a mão nas ervas plantadas na varanda...
Estavam frescas porque choveu cá dentro na noite anterior.
Foi na noite simpática onde choveu debaixo do tecto, e onde o tecto parecia o sol da Primavera que já passou e o do Verão que está por vir.

Senti a mão quente na frescura do jasmim, o cheiro da salsa na sala que estava cheia de alecrim.
Melhor dizendo senti a sensação já esquecida daqueles tempos em que eu sempre achei que já foram vividos e no entanto acabam sempre por se repetir.

Bonitos ou feios, a verdade, é que a erva plantada na varanda era fresca e por mais que se possa pensar, dizer ou falar, será fresca para sempre, pelo menos enquanto aquela noite simpática perdurar na memória, enquanto o sol que é sol faça chover como choveu naquela noite.

Foram anos passados, cinco anos repescados e outros tantos vividos, onde toda a gente mudou, toda a gente ficou igual, somos quem somos e somos de alguém.

A única coisa a saber que se têm que descubrir é se a erva fresca de ontem, é fresca e pertence a outra pessoa amanhã..
Se a chuva de hoje, é o sol de amanhã.
Se a primavera que foi, ainda o é, no fundo, é o que é.





Sabor à jasmim curado.
Colheita de Maio.
Erva de 1983.